Me arrependi de terminar o relacionamento: o que fazer?

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O arrependimento após término surge quando a rotina compartilhada deixa um vazio funcional, não necessariamente indicando erro na decisão. Diferenciar saudade real de medo da solidão é essencial antes de agir. Evitar contato nas primeiras 72 horas, identificar se o arrependimento é sobre a pessoa ou o processo, e buscar terapia se persistir ajudam na tomada de decisão consciente.

Jovem observa a chuva através da janela ao anoitecer, segurando uma caneca em ambiente aconchegante.

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Arrependimento depois de um término está diretamente relacionado com o vazio que ficou no lugar da rotina, da companhia e da identidade construída a dois. (Artigo primeira vez publicado em Psicólogo online Emilson Silva)

O primeiro passo sobre o que fazer é organizar o que você sente antes de agir.

Geralmente o que observo é: a pessoa termina, sente alívio nos primeiros dias, e só depois de duas ou três semanas o arrependimento aparece com força.

É o efeito de perder, de uma vez, uma rotina que organizava boa parte da vida.

Com as técnicas certas, dá para diferenciar saudade real de medo da solidão, e para agir sem se guiar só pelo impulso do momento.

  1. Por que o arrependimento demora a bater?
  2. Como saber se é saudade ou medo de ficar só?
  3. O que fazer nas primeiras 72 horas?
  4. Como segurar a vontade de mandar mensagem?
  5. Voltar resolve ou só adia o problema?

Por que o arrependimento aparece depois que a poeira baixa?

Você terminou. Nos primeiros dias, até veio um alívio. Agora, semanas depois, bate um arrependimento maior do que tudo que você sentiu antes de terminar.

Uma revisão de literatura conduzida por Emanuel Santos de Araujo Filho e equipe, da Universidade Salvador, identificou que a forma como a pessoa processa a perda nas semanas seguintes pesa mais no sofrimento do que o fato do término em si (ARAUJO FILHO et al., 2023).

Quanto mais a rotina era organizada em torno do parceiro, dividir a louça, decidir o fim de semana, avisar que chegou em casa, mais o cérebro sente a falta como um buraco funcional.

Pesquisadores da Universidade de Sherbrooke, no Canadá, liderados por Kristin Gehl (GEHL et al., 2024), acompanharam pessoas nos primeiros meses após o término e mostraram que quem tem mais ansiedade de apego demora mais para aceitar a separação.

Essa dificuldade de aceitação é o que mantém o sofrimento ativo. Ou seja: o problema raramente é “eu errei”, mas o “eu ainda não aceitei”.

Os dois tipos de arrependimento que se confundem no término

Existe um arrependimento sobre a decisão em si e existe um arrependimento sobre como o término aconteceu.

São coisas diferentes, e tratá-las como a mesma coisa é o que trava muita gente.

Arrependimento de decisãoArrependimento de processo
“Eu não devia ter terminado”“Eu devia ter terminado de outro jeito”
Foco no vínculo perdidoFoco na forma da conversa, no tom, no timing
Costuma vir com idealização do exCostuma vir com culpa e vergonha
Pede reflexão sobre o relacionamentoPede reparação, não reconciliação

Muita gente acha que se arrependeu do término, quando na verdade se arrependeu de ter terminado brigando, por mensagem, ou num momento ruim.

Qual dos dois é o seu?

Saudade da pessoa ou medo de ficar sozinho?

Você sente falta de quem ele era, ou sente falta de ter alguém? Você lembra dos momentos bons, ou lembra do silêncio da casa às nove da noite?

O estudo de Anne Verhallen e colegas, da Universidade de Groningen, na Holanda, acompanhou pessoas nos meses seguintes a um término e encontrou sintomas depressivos elevados em quase 27% da amostra, mesmo em pessoas sem histórico de transtorno psiquiátrico (VERHALLEN et al., 2019).

Um jeito simples de testar: imagine reencontrar o ex, mas já estando bem acompanhado, com amigos, trabalho e rotina em ordem.

A vontade de voltar continua do mesmo tamanho? Se sim, então é sobre a pessoa, mas se diminui bastante, é sobre o vazio.

O que fazer nas primeiras 72 horas de arrependimento?

Quando o arrependimento bate forte, o corpo pede ação imediata. É exatamente aí que a maioria toma a decisão que depois lamenta.

  • Não mande mensagem nas primeiras 72 horas, nem para “só saber como ele está”;
  • Escreva o que sente num papel ou no celular, sem editar, sem pensar em mostrar para ninguém;
  • Anote os três motivos reais que levaram ao término, mesmo que pareçam pequenos agora;
  • Evite álcool nesse período: ele amplia impulsividade e memória seletiva;
  • Avise um amigo próximo que você está nessa fase, para ter alguém de fora olhando com você.

Setenta e duas horas não resolvem o arrependimento, mas evitam que você tome uma decisão dentro do pico da emoção, que é justamente quando o julgamento fica mais distorcido.

Como segurar a vontade de procurar o ex?

O impulso de mandar mensagem costuma vir em horários específicos. À noite, sozinho, rolando o WhatsApp, é quando a lembrança bate mais forte.

Se o impulso aparece sempre depois das dez da noite, ou sempre no domingo à tarde, é porque é um horário em que a solidão fica mais evidente.

  • Tire a conversa do topo do app, ou silencie as notificações dela por um tempo;
  • Substitua o horário de risco por algo que exija atenção ativa, não passiva;
  • Escreva a mensagem, mas não envie. Releia no dia seguinte antes de decidir;
  • Evite revisitar fotos e conversas antigas como forma de “confirmar” o que sente.

Voltar resolve o que você sente?

Essa é a pergunta todo mundo pensa, e a resposta honesta é: depende do que causou o término.

Um estudo brasileiro conduzido por Maria Ignez Limeira, Cristina Dantas e Terezinha Féres-Carneiro, da PUC-Rio, entrevistou casais que se reconciliaram depois de uma separação e identificou que a reconstrução só se sustentou quando os dois processaram, e mudaram, o que causou o rompimento original (LIMEIRA; DANTAS; FÉRES-CARNEIRO, 2020).

Voltar sem resolver a causa costuma repetir o padrão em menos tempo.

Se o motivo do término era um problema pontual, uma discussão mal resolvida, um mal-entendido, reconciliar só fará sentido com conversa e ajuste real.

Se o motivo era estrutural, incompatibilidade de valores, desrespeito recorrente, falta de investimento de um dos lados, voltar tende a adiar o mesmo desfecho.

Quando o arrependimento era sobre o vínculo

Atendi um paciente que terminou um relacionamento de quatro anos depois de uma briga feia, e chegou ao consultório dizendo que tinha certeza de ter cometido o maior erro da vida dele.

Nas primeiras sessões, ele só falava da falta que sentia.

Pedi que descrevesse um dia comum do relacionamento, não os melhores momentos, o dia comum. Ele demorou para responder.

Quando respondeu, descreveu silêncio no carro, mensagens não respondidas por horas, e a sensação constante de estar pedindo atenção.

O trabalho foi ajudá-lo a separar a saudade da companhia da saudade daquela relação específica.

Quando o arrependimento pede ajuda profissional?

Se já se passaram semanas e o arrependimento não diminui, se ele interfere no sono, no trabalho ou na vontade de sair de casa, esse é o sinal de procurar acompanhamento.

Terapia não serve para dizer se você deve voltar ou não, mas para você entender o que realmente está sentindo, sem a pressa e sem a distorção que a dor do momento impõe.

Perguntas para fazer a si mesmo antes de qualquer decisão

Antes de mandar mensagem, antes de decidir qualquer coisa, algumas perguntas ajudam a separar o que é emoção do momento do que é decisão pensada.

  • Você recua exatamente quando pensa em como era a rotina, ou em quem ele era?
  • Quanto tempo leva para você parar de reviver a última conversa que tiveram?
  • O que mudaria, da parte dele, se vocês voltassem amanhã?
  • Você sente falta da relação inteira, ou só dos primeiros meses dela?

Não existe resposta certa. O que existe é resposta honesta, e ela costuma aparecer quando você para de responder com pressa.

Perguntas frequentes

  1. Me arrependi de terminar o relacionamento, isso é normal?
    É comum, principalmente depois das duas primeiras semanas. Nesse período, o alívio inicial dá lugar à falta da rotina, e isso costuma ser confundido com arrependimento da decisão em si.
  2. Me arrependi de terminar o namoro, devo mandar mensagem para ele?
    Não nas primeiras 72 horas. Esse é o período em que a emoção fica mais intensa e o julgamento, mais distorcido. Esperar não significa desistir de resolver, só evita agir no automático.
  3. Me arrependi de ter terminado com meu namorado, isso significa que eu deveria voltar?
    Nem sempre. Arrependimento pode ser sobre a pessoa ou sobre o vazio da solidão. Vale entender qual dos dois é o seu antes de qualquer decisão.
  4. Me arrependi de ter terminado com meu ex, como sei se é saudade real?
    Pergunte-se se a vontade de voltar diminui quando você imagina estar bem acompanhado, com rotina e amigos em dia. Se diminui bastante, era mais sobre solidão do que sobre a pessoa.
  5. Por que o arrependimento demora a aparecer depois do término?
    Porque nos primeiros dias predomina o alívio da tensão que levou ao término. O arrependimento costuma aparecer depois, quando a rotina sem o parceiro já ficou evidente.
  6. Terminar por impulso aumenta o arrependimento?
    Sim, principalmente quando o término acontece no meio de uma briga. Nesses casos, é comum confundir arrependimento da decisão com arrependimento da forma como ela foi comunicada.
  7. É normal sentir vontade de voltar mesmo sabendo que o relacionamento tinha problemas?
    É. A mente tende a lembrar dos momentos bons com mais intensidade do que dos ruins, principalmente quando a solidão está presente no dia a dia.
  8. Como diferencio arrependimento de decisão de arrependimento de processo?
    Pergunte-se se o incômodo é com o fato de ter terminado, ou com a forma como terminou. São dois problemas diferentes, e o segundo não exige reconciliação para ser resolvido.
  9. Voltar com o ex costuma dar certo?
    Depende da causa do término. Quando os dois lados processam e mudam o que gerou o rompimento, a reconstrução tende a se sustentar. Quando não muda nada, o mesmo padrão costuma se repetir.
  10. Quanto tempo leva para o arrependimento passar?
    Varia bastante de pessoa para pessoa, e não costuma ser um processo linear. Recaídas no meio do caminho são comuns e não significam retrocesso.
  11. Beber para lidar com a saudade do ex faz mal?
    Sim. Álcool aumenta a impulsividade e distorce a memória do relacionamento, o que tende a piorar tanto o arrependimento quanto a vontade de procurar o ex.
  12. Por que sinto mais falta à noite?
    Porque é quando as distrações do dia acabam e a solidão fica mais evidente. Identificar esse padrão de horário ajuda a se preparar para o momento de maior risco de agir por impulso.
  13. Terapia ajuda a decidir se devo voltar com o ex?
    Terapia não decide por você, mas ajuda a separar o que é emoção do momento do que é avaliação real da relação, o que deixa a decisão mais clara.
  14. Sentir raiva do ex depois do término é sinal de arrependimento?
    Não necessariamente. Às vezes a raiva é uma forma de lidar com a dor da perda, e pode coexistir com a certeza de que terminar foi a decisão certa.
  15. É normal ter recaídas mesmo sabendo que não devia voltar a falar com o ex?
    É bastante comum. Recaídas fazem parte do processo de aceitação e não anulam o progresso feito até ali, desde que a pessoa retome o processo depois.

Referências

  • ARAUJO FILHO, Emanuel Santos de et al. Como superar um término de relacionamento: uma revisão narrativa. Revista Multidisciplinar do Nordeste Mineiro, v. 3, n. 1, 2023. Disponível em: https://remunom.ojsbr.com/multidisciplinar/article/view/916. Acesso em: 28 ago. 2026.
  • GEHL, Kristin; BRASSARD, Audrey; DUGAL, Caroline; LEFEBVRE, Audrey-Ann; DAIGNEAULT, Isabelle; FRANCOEUR, Audrey; LECOMTE, Tania. Attachment and breakup distress: the mediating role of coping strategies. Journal of Social and Personal Relationships, 2024. Disponível em: https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/21676968231209232. Acesso em: 28 ago. 2026.
  • LIMEIRA, Maria Ignez Carneiro de Azevedo; DANTAS, Cristina Ribeiro; FÉRES-CARNEIRO, Terezinha. Atributos do amor no recasamento com o ex-cônjuge: uma reconstrução gratificante. Revista Subjetividades, v. 20, n. 1, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v20i1.e9871. Acesso em: 28 ago. 2026.
  • VERHALLEN, Anne M.; RENKEN, Remco J.; MARSMAN, Jan-Bernard C.; TER HORST, Gert J. Romantic relationship breakup: an experimental model to study effects of stress on depression(-like) symptoms. PLOS ONE, v. 14, n. 5, 2019. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6544239/. Acesso em: 28 ago. 2026.